Mãos que Tecem

Conheça os artesãos e as personalidades que preservam os ofícios e a herança viva do nosso Axé.

Odé Okê Samin: O Ferreiro que Molda a Fé e a Liberdade.

Entre o fogo e o ferro, André Luiz Ribeiro transforma o metal em ferramentas de Axé, unindo a força de Ogum à história da justiça social no Brasil.

André Luiz Ribeiro Silva é um artista que transforma ferro em poesia e espiritualidade. Filho de serralheiros, cresceu entre faíscas e martelos, aprendendo desde cedo a moldar o metal. Mas a vida, com seus desvios e sombras, o levou por trilhas difíceis. O contato com as drogas desviou do seu caminho, mas foi acolhido pela comunidade terapêutica Nova Criatura, André reencontrou o sentido da vida por meio do conhecimento e da espiritualidade. Descobriu, no Candomblé, um caminho de luz e pertencimento. Iniciado no Ylê Asè Agánjú Solá Màwúrè, foi guiado por Ogum a redescobrir a força do ferro e do fogo. Hoje, é conhecido religiosamente como ogã Odé Okê Samin — “o caçador da grande montanha”. Um nome que reverbera a força de sua jornada, utiliza a serralheria como meio de expressar a riqueza das tradições afro-brasileiras. Sua arte é intuitiva e profundamente conectada aos orixás. Cada peça é única, essa abordagem ficou evidente na exposição "Ogum, o ferreiro de deus", realizada no Centro de Memória Graça do Aché, onde suas esculturas em ferro homenageiam os orixás e suas histórias.

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi a criação da "caneta de Xangô", feita a pedido da deputada federal Dandara Tonantzin. Esse instrumento, confeccionado foi utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sancionar a revisão da Lei de Cotas em 2023. A caneta, simbolizando justiça e equilíbrio, representa a conexão entre a arte de André, sua fé e a luta por igualdade. A visibilidade do seu trabalho é essencial para valorizar as raízes e as origens afro-brasileiras. Sua arte não apenas celebra a ancestralidade, mas também educa e inspira, mostrando que uma cultura negra é rica, diversa e fundamental para a identidade nacional. Ao dar forma ao ferro com sensibilidade e propósito, André Ribeiro reafirma a importância de manter vivas as tradições e histórias que moldam a nossa.eiam os orixás e suas histórias.

Exposições e Obras feitas

Ogun sola

A Alquimia da Matéria e do Espírito

Minha caminhada na arte começou cedo. Desde pequeno, o desenho, a escultura e a música foram meus canais de expressão. Cresci transitando entre o dinamismo visual das HQs e a intensidade das artes dramáticas, fundindo esses estilos até encontrar uma voz própria — uma estética que hoje une técnica contemporânea e sensibilidade clássica.

Natural de Jataí (GO) e atualmente radicado em Uberlândia (MG), meu trabalho como artista plástico e artesão é uma busca constante. Sou um experimentador de matérias-primas: da argila e gesso à ressignificação de materiais descartados, acredito que a técnica deve estar sempre a serviço da mensagem.

Hoje, minha visão artística se conecta profundamente com o mundo ancestral. Como filho de asé, entendo a arte como um processo de transmutação de sentimentos e um resgate de memórias. Para mim, criar é um ato "mágico": é manter viva uma tradição que me fez nascer de novo e que me permite colaborar com o enriquecimento da cultura. Minha obra é um tributo aos que vieram antes de mim e um convite para que a arte continue sendo esse elo entre o sagrado e o cotidiano.